Tudo?
Tudo!
Aposto que estiveram vai não vai para cometer suicidio várias vezes, tal foi a falta que eu fiz nas vossas vidinhas, certo?
Desesperem não mais, porque a bebé voltou com bonitas lendas de gosmas encantadas, de vernizes de tempos idos, de nhaca malévola que ataca donzelas que vivem em pontas de dedos.
Para começar em grande vou-vos contar a história de uma marca que gosta de dar tiros no pé.
Era uma vez uma marca portuguesa que se chamava "Cliché". Como se o nome já não fosse blhé o suficiente, ela ainda pensava que a maneira mais correcta de agir em relação a quem lhes dá de comer (aka. quem compra a gosma) é a de pura e simplesmente defecar no público alvo.
Certo dia, na floresta, uma humilde blogueira escreveu um mail para o departamento comercial da empresa em questão:
"Principes do reino de Cliché, tenho um blog que serve de arauto do condado! Esta que vos apregoa que são 10h e está tudo calmo na Cidade não deseja gosma de borla (até porque gosma a um euro é preciso ser-se munta pobrezinha para almejar a sua entrega grátch), deseja apenas que lhe sejam enviados pergaminhos informáticos cantando os feitos recentes da valente Cliché.
Senhores! Usufruei (??) deste humilde veículo de divulgação, e deixai que eu conte das lendas imemoriáveis dos vossos heróicos vidros de colorido ranho!!"
Bom, esperei, esperei e nada.
Como devem calcular, caguei.
SemanaS mais tarde recebo um mail dos freaks a pedir a minha morada e tal. Volto a referir que basta o mail, uma vez que o meu intuito de contacto não era o de receber cenas à borla. Recebo outro mail a dizer, ok, mas gostariamos de lhe enviar whatever...
Respondi a esse mail devidamente e até hoje, já passaram mais de 6 meses, nunca tive direito a um "hello, vai te lixar" por parte desse departamento comercial (Pausa para rir. Todas riem).
Foi assim com um misto de surpresa e agastamento que vejo que lançaram uma "colecção", pela calada.
Não seria mais inteligente mandar um mail às blogueiras a dizer: a Cliché vai lançar no próximo mês de nãoseiquê, uma colecção composta por x cores e etc - pergunto eu? Há gente que realmente não nasceu para desempenhar certas funções.
Desabafo findado, ao que parece estes fulanos lançaram algo a que eu vou chamar - por falta de material informativo de divulgação - colecção "géneros musicais". Achooooooo eu que é composta por 6 garrafinhas de gosma, a ver a "Punk", "Rock", "Reggae", "Blues", "Jazz" e "Fado". O que é que o Fado faz no meio daquela coisa toda? Não sei. Foi o que se chama de "metido a martelo" ali no meio, na volta para apelar a um patriotismo torpe ou para capitalizar naquela treta do Património da Humanidade (outra imbecilidade).
Vamos então apreciar esta colecção stealth.
Vou ser breve, senão nunca mais saimos daqui. O Punk é apenas mais um cinzento metalizado, um antracite que bastava ter havido um, o Tóquio, e não se falava mais nisso. É aquele tipo de cor que se vê por todo o lado e não fazia cá falta nenhuma haver outro. A aplicação do nome em relação à cor? Nota zero. Punk, cinzento metalizado? Expliquem-me o conceito, porque passou-me ao lado. Ao menos um roxo vibrante, sei lá. Deve ser aquela lógica de quem nem sabe o que ser punk, que tipo de música é... chamando-se a marca Cliché, não é de estranhar que tenhamido naquela do "ái é tudo gente que ouve música aos gritos e que se veste toda de preto"... mas isso são os metálicos ou então os góticos, senhores. O Punk são outros quinhentos.
Duas camadas, secagem super rápida, fácil de aplicar e yada, yada.
Próximo.
Três camadas e com secagem um bocadinho mais complicada, mas nada de dramático.
A ligação desta cor ao nome é a mais WTF de todas! Quem é que pensa em Reggae e se lembra de uma baba cinzenta perolada com laivos de verde e rosa pálidos, nunca saberei. Mas se você é uma dessas pessoas que acha que esta ligação faz sentido, procure ajuda profissional. Algo nessa tola não está bem.
Quatro camadas! Como vêm, a coisa não foi pacífica. A lógica de usar preto por baixo e depois dar-lhe com uma lambidela disto em cima também não se provou eficaz. A ideia era capaz de ser boa, mas a execução desta gosma foi fail.
Para não perder mais tempo a tecer considerações, eu digo-vos já o que é este verniz. É o Filosofal da Bitty, engarrafado no vidro da Cliché. Todas nós já nos apercebemos de que a Bitty encalhou à força toda e a malta viu-se forçada a baixar
Três camadas e este deixa um bocadinho de linha de unha visivel.
Estamos a falar de uma coisa que recebeu cinco generosas camadas e que, mesmo assim, não ficou nada de mais. É uma baba cinzenta, meio creme, perolada, que não recomendo a quem se passa da marmita com o facto de as marcas do pincel ficarem visiveis.
Sério, é terrivel, o pior da colecção.
Ora eu ODEIO Fado, mas a gosma até que se mama muito bem.
É o que chama mais a atenção no meio dos outros porque a gosma é faiscante dentro do vidro. Perde um bocadinho o efeito tchanan quando é aplicada nas unhas, mas não deixa de ser uma cor que dá que pensar. A base parecia ser um amora muito escuro, mas depois me apercebi de que era mais a atirar para o castanho, só que com uns brilhos meio violeta meio nãoseiquê, que lhe dão outra vibração. Só vocês embedunhando as unhas com isto para verem que cor é que vos parece ser.
A ligação da cor ao nome, ALELUIA, faz sentido e ele é extremamente fácil de passar. Duas camadas e mais uma só para ficar perfeitinho. Secagem rápida do costume.
É pena principalmente porque a qualidade desta gosma é realmente muito boa. Boa duração, boa aplicação, boa secagem. Um preço imbativel e, se forem realmente completamente livres daquelas substâncias que insistem em dar cancro à malta e máinãoseiquê, então esta poderia bem ser a gosma mais fabulosa à face da terra.
Era agora só investir um bocadinho mais em originalidade (tanto a nivel de formulação de cores quanto de nomeação das ditas) e em respeito e consideração por quem vos está a prestar um serviço de divulgação gratuito.
Da maneira como estes senhores fazem as coisas, todos os vernizes deveriam ser em tons de khaki e de verde-tropa, já que os lançamentos são todos camuflados.
Ah, não sei se notaram o tom ressabiado da resenha, mas a bebé é mesmo assim. Cada um colhe o que plantou.
*(os vernizes aqui divulgados foram gentilmente cedidos pelo meu bolso - como diria a minha amiga Kelly)

































